Por que eu insisti em fazer jogos
De um projeto de faculdade cheio de bugs a engenheiro de jogos no Sniper3D
Meu primeiro contato com a programação foi em 2023, começando o curso de Ciência da Computação e desenvolvendo meu primeiro jogo, na faculdade mesmo. O projeto tinha prazo de 3 meses para ser entregue, e mesmo com uma duração tão curta e um resultado muito simples, cheio de bugs e distante do que eu queria, cá estou eu, 36 meses depois, ainda fazendo jogos e sem prazo para parar.
“Você tem potencial muito além disso”
Sinceramente, ter me encantado tão rápido e tão cedo foi bastante assustador. Todos ao meu redor só falavam do Vale do Silício, de big techs, de mercado financeiro… E quando estagiei num banco para experimentar essa realidade que era veementemente almejada pelos meus colegas, não encontrei nada comparável à sensação de ver o personagem que você criou saltando na tela. A maioria das pessoas com quem conversei sobre carreira durante esse estágio no banco me disse que era um desperdício me dedicar aos jogos, que eu tinha um “potencial muito além disso”, foi bem desencorajador. Entretanto, as tabelas com cifrões e CPFs eram impalatáveis, não representavam nada para mim.
Três dias sentado ao lado de quem faz isso todo dia
Foi pouco depois dessa experiência que conheci a Wildlife. Tive a sorte de ser um dos poucos alunos na época a conseguir participar do hackathon interno da empresa, para o qual o recém-fundado clube de desenvolvimento de jogos da faculdade tinha conseguido algumas vagas. Nos receberam no escritório e nos alocaram ao lado de times profissionais fazendo seus próprios jogos, trabalhando cotidianamente com isso. Para eles, era só mais um dia criando jogos para literalmente bilhões de jogadores. Então, depois dos três dias de convivência, competição e muita correria para entregar um protótipo, eu percebi que não tinha volta: era fazer jogos ou fazer jogos.
A missão era voltar
A missão agora era clara: após ter conhecido tantas pessoas dentro da Wildlife que me motivaram a continuar desenvolvendo o que eu amava e que me mostraram como era o dia a dia dentro de um estúdio, eu tinha que voltar e sentar ao lado deles mais uma vez. Além disso, era uma das maiores oportunidades que eu poderia ter nesse mercado no Brasil, sem dúvidas.
Logo, mergulhei ainda mais fundo nos estudos: participei de inúmeras outras game jams (hackathons de desenvolvimento de jogos), de todos os portes e com equipes diversas, às vezes até completamente desconhecidas. Conheci muita gente do mercado, principalmente desenvolvedores independentes, desenvolvi meus projetos pessoais, fiquei cada vez mais envolvido com o clube de desenvolvimento de jogos da faculdade, e eventualmente consegui meu primeiro emprego na área.
Comecei a trabalhar em um estúdio independente daqui de São Paulo, no início de 2024. Todo dia era um desafio: estava desenvolvendo com tecnologias com as quais eu não havia tido contato , com pessoas extremamente competentes ao meu lado, ainda cursando a faculdade e depois de apenas um ano desde minha primeira linha de código. A batalha foi grande, mas a experiência e o aprendizado certamente foram proporcionais.
Porém, eu ainda ansiava por trabalhar em uma empresa grande do mercado, com mais pessoas e mais alcance. Então, depois de oito meses trabalhando nesse estúdio, chegou um momento de despedida e mudança total de foco. Agradeci aos meus colegas de trabalho pela oportunidade, por todo o apoio e pedi demissão, dei all in no processo seletivo de estágio da Wildlife, que estava prestes a começar.
O processo seletivo e a chegada ao Sniper3D
O processo foi tecnicamente exigente, como é realmente o desenvolvimento de jogos. As entrevistas foram desafiadoras, mas em todo momento eu via o interesse dos entrevistadores em contratar pessoas que tivessem a mesma vontade que eu tinha, essa mesma paixão. Tinha tudo para dar certo, e deu. Meu estágio começou em janeiro de 2025, na área de engenharia de jogos, no time do Sniper3D.
Do dia para a noite eu passei a fazer parte da equipe responsável por manter um jogo de um porte que eu nunca tinha trabalhado antes. Era e ainda é um desafio diário, porém extremamente recompensador, e minha equipe garantiu que eu estivesse muito bem amparado durante todo o processo de aprendizado, sem sacrificar minha autonomia e confiando a mim tarefas de valor para o jogo. Foi o que considero um estágio ideal.
Hoje, engenheiro de jogos
Hoje, pouco mais de um ano depois, sou um engenheiro de jogos no Sniper3D, já não mais estagiário. Sigo desenvolvendo as mais diversas features no jogo, navegandode interface a gameplay, de economia a retenção, e sempre dialogando ativamente com outras áreas (arte, produto, marketing, etc.), com muita proximidade e trabalho em conjunto. Fazendo o que gosto, ao lado de quem também gosta, um apoiando o outro nessa carreira e nesse sonho.
Faça jogos. Só comece.
Para quem compartilha da mesma vontade equer trilhar o caminho do desenvolvimento de jogos, minha recomendação é simples: faça jogos. Só comece. Vai ser difícil, não vai ficar como você queria, não vai funcionar perfeitamente, mas você vai ter feito um jogo. Participe de quantas game jams conseguir, conheça todos que puder conhecer e troque muita figurinha, o crescimento e o aprendizado vêm nesse processo. É uma área complexa e a experiência e um portfólio são grandes diferenciais. Mas, mais do que isso: faça jogos para fazer jogos, para divertir pessoas, para expressar, para inspirar. O que você quiser, apenas faça. Garanto que vale a pena.
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